Difícil não é sentir a falta de quem nos faz falta.
É pensar no tempo que falta, no tempo que não volta e sufoca, e nas voltas da vida que o tempo nos dá. Fica a esperança de que o tempo aqui me sorria e me traga a vida de volta.
E tem sorrido...


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15.4.08

E vão três...


Acordo pela manhã e chego bem disposto ao meu carro. Eis que reparo logo que o meu lindo carrinho está estranhamente baixo, tipo carro desportivo. Observo melhor e...
- Boa, mais um furo...!
Não há duas sem três... E assim sendo já lá vão três (!) furos em pouco mais de uma semana. E dois deles em dois dias seguidos, no mesmo carro, e em ambas as rodas da frente.

Para o meu próximo carro acho que vou pedir para que tenha duas rodas sobressalentes, em vez de apenas uma. É que isso dá um certo jeito aqui... Mas a verdade é que até hoje nunca tinha pensado que tal poderia acontecer: um furo já é azar, mas dois é o quê? Será sorte?
Fiquei assim sentado e pasmado de mãos atadas esperando que me viessem trazer um veículo de substituição... E esperei, esperei, esperei até adormecer, encostado ao volante.
Passam mais de duas horas e finalmente chega o homem da empresa de rent-a-car:
- Bom dia! O Sr. está mesmo com azar...
- Duuhh... a sério? Dois furos em dois dias não é sinal de grande sorte não.
- Pois, está ali o seu carro de substituição mas...
- Fixe, vou...
- ... mas fechei-o agora mesmo, sem querer, com a chave lá dentro. Não vai dar, tem de vir outro meu colega com outro carro...
- Não me diga... está a brincar?
- Pois não... é verdadinha mesmo. Mas ele tá mesmo aí a chegar...
- Que m... !
Bem... haja paciência nesta terra. O "tá mesmo aí a chegar" significa que ainda nem seguiu caminho. Por isso só mais duas horas além das duas primeiras, e meio dia de trabalho já perdido, lá veio um outro carro, que pedi para nem desligar a ignição, não fosse acontecer o mesmo... e pude seguir finalmente para a empresa.
NDR: Ainda por cima é azul bébé...

27.2.08

Que M....


17.00: Saio do trabalho e pego no carro. O objectivo é chegar a horas à clínica dentária, cerca de 2 Km e hora e meia de distância. Pouco preocupado com a distância e o tempo, pois afinal tenho 90 minutos para fazer 2 Km... Mais preocupado sim com o resultado final da consulta e com o sofrimento que adiei... até hoje. É que extrair um dente em Angola é mais que motivo para preocupação...

17.30: Reparo que estou ainda no meio do trânsito... Andei 200 metros, se tanto... Mas continuo confiante. Deve ser só aqui a confusão desta rua, depois é sempre a andar...

18.00: Ainda estou na mesma rua e já decorei os anúncios todos nas casas de ambos os lados. Já meti a conversa em dia pelo telemóvel e sintonizei e gravei as estações de rádio que mais me interessam. Cantei um pouco, até reparar que no carro ao lado estavam a olhar para mim e a julgar-me doido. Contive-me. Vi finalmente se a documentação do carro estava ok e repreendi-me quando olhei para a porta e vi o lixo que se acumula, com os pacotes de leite e de sumo vazios que são por vezes o meu pequeno-almoço. Olho para o relógio e apercebo-me incrédulo que em meia hora andei apenas 10 metros. M…

18.30: Já comprei pastilhas a um miúdo que passou, para aliviar o meu stress. O ar condicionado do carro é fraquinho e começo a sentir um calor que nem sei se é do sol ou do nervosismo. Tento não pensar na consulta e no dente que vou extrair, mas acaba por se tornar inevitável. Penso que devia ter tomado o último Clonix, ou alguns comprimidos para dormir, mas que se lixe... Sou forte, não é? Ligo para a clínica, a informar que devo chegar um pouco atrasado... Afinal andei apenas mais 10 metros, mas a rua também está a acabar... Agora é só passar o cruzamento e depois é sempre a abrir. E da clínica respondem-me com o tradicional "- Não há problema”. Relaxo...

19.00: Começo a dizer asneiras. - E os carros não andam porquê? - Tu aí, anda mas é com isso! Passei o cruzamento mas o trânsito continua parado. Estudo outras alternativas, outros caminhos para chegar mais depressa ao mesmo destino... Mas aqui é tudo sentido único, não tenho hipóteses, nem para trás nem para a frente. Bem, o que vale é que liguei para a clínica a dizer que estava atrasado... Não há problema.

19.30: Estou quase, quase a chegar! É já a rua seguinte! Já sorrio, um pouco sem razão, porque afinal vou tirar um dente, não devia estar a sorrir... Mas ao menos saio deste trânsito infernal. E além disso dói-me o corpo de estar tanto tempo sentado no carro. Ai, que vontade de chegar ao dentista! Está quase! Já canto de novo, por entre as asneiras e um trânsito nunca visto...

19.45: Toca o telefone. Olha, é da clínica! Fixe, se calhar estão preocupados comigo... – Senhor, já passou da hora, fechamos às 19.30, não vai dar. - Mas eu estou já aqui! E é só virar a esquina e estou já aí! - Sim, mas o doutor já foi embora... não vai dar. - Mas a senhora disse-me que não havia problema... Eu liguei a dizer que estava atrasado e além disso estive 3 horas no trânsito para cá chegar! - Pois... mas agora só para a semana. - Que m...! Olha, vai… E chamo-lhe alguns nomes e desligo só depois.

20.00: Continuo chamando-lhe nomes enquanto perco a paciência no trânsito intransitável e nas horas intermináveis que me esperaram no ansioso regresso a casa.

18.2.08

O Super


Sexta-feira é sempre o melhor dia para cometer loucuras, sobretudo depois de uma semana de doidos. Autêntica. Por isso achei por bem ser doido e ir até ao festival Super Bock Super Rock aqui em Luanda. No Estádio da Cidadela. E porque não? E eu que até nem bebo álcool...

Bem, mas umas horas antes até almocei com o João Cabeleira, dos Xutos e Pontapés. Apareceu meio cambaleando e desorientado na Tendinha e acabei por pagar-lhe o almoço e dar-lhe também um autógrafo. Merecido. Pois é, os Xutos também vieram. Mas esses sim são malucos mesmo... em grande.

Ok pronto... a parte do autógrafo é mentira: não tinha caneta comigo.

E assim fui ao início da noite para o fim do mundo. A princípio a medo, por entre os milhares de pessoas que se aglomeravam à entrada do estádio... E Medo porque realmente éramos os únicos algo "diferentes" por entre esses milhares de pessoas, e entre o dobro dos olhos desses milhares de pessoas olhando para nós. Vigiando-nos. Depois sentimo-nos mais confiantes, seguindo as filas indianas que curiosamente as pessoas respeitavam sem qualquer hesitação até à porta de acesso ao estádio. Ok... talvez os polícias com cães de guarda e bastões ameaçando agredir as pessoas para que elas se mantivessem em fila única tivesse ajudado um pouco para isso... Hum... Pois, era isso. Mas lá entrámos cercados, cerca de uma hora depois.

Já dentro do estádio... senti um arrepio. Mais milhares de pessoas enchiam o reduto no relvado (?) e nas bancadas, dando ainda mais calor à noite quente. Resmas de gente, num ambiente colorido e surpreendente. No palco, o grupo angolano Impactus 4 dava o ritmo e o ambiente q.b. para animar a festa. Muito bom!

Conseguimos lugar na bancada, num lugar tranquilo (dentro do possível...) mas longe do palco. Animado. Com o Dj Malvado (um Dj, como é normal num festival de ROCK...) no intervalo, vieram depois os Xutos e Pontapés. E pontapés só no palco mesmo. À nossa volta toda a gente dançou, pulou e cantou todos os êxitos com que eles nos brindaram. E nós brindámos a eles. Epá, é mesmo impressionante como os nossos dinossauros são conhecidos em todo o lado, até mesmo em Angola! Regressei por momentos a Portugal. "À minha casinha". Senti-me lá mesmo. Recuei nostálgico no espaço e no tempo, aos meus tempos de adolescente. Fiquei quase sem voz. Lembro-me que o primeiro concerto que fui na vida foi mesmo de Xutos e Pontapés, há já (...) bem, há bué anos. E desta vez foi como se tudo se repetisse, como uma segunda primeira vez... Entretanto cheguei à conclusão de que sei ainda de cor as letras! "À minha maneira" e "Não sou o único" foram puros exemplos disso. E não era mesmo o único a olhar o céu daquela noite. Foi mesmo um festival com sabor autêntico.

NDR - A parte do "não bebo álcool" é mesmo verdade... E já lá vão 15 dias, um autêntico record pessoal. Senhores artistas, abram os olhos! Para quando o festival Super Sumo Super Rock? Pode ser???

12.2.08

E fui ao Dentista

É assumido que não gosto de dentistas. Aliás, só a ideia de ir ao dentista assusta-me e faz-me tremer as pernas em qualquer circunstância e em qualquer parte do mundo. Aquele cheiro típico da sala de espera, o fssssssttt arrepiante que provém das salas de tortura e que se ouve enquanto folheamos as revistas do ano passado... Enfim, é mais um dos meus traumas de infância, confesso... Juro sempre para nunca mais!
Mas teve que ser. Um dente com o qual tenho já uma velha relação de inimizade resolveu chatear-me logo agora e dar-me de presente uma dor contínua e insuportável, daquelas que nem dá para pensar. Não. Dei por isso por mim procurando e encontrando farmácias e remédios pela noite na cidade. E encontrei mesmo um spray milagroso que me aliviou a dor por uns... segundos. 10, praí. Recorri então desesperado à caixa de Clonix que tinha na mala, num estojo que nunca abri (o mesmo onde está o Mephaquin, o tal substituto do gin tónico, segundo dizem) e tomei um. Depois mais um. E outro. Em 12 horas foram 4 comprimidos. Não me lembro bem se sonhei ou se vi mesmo elefantes cor de rosa e estrelinhas azuis a flutuar pelo quarto... mas a verdade é que consegui passar bem essa noite. Menos mal.
Acordo decidido e sem alternativas no dia seguinte e vou de emergência a uma clínica dentária. A melhor de Luanda, segundo me disseram. E talvez seja.
Passadas 2 horas e 80 dólares depois, mais uma injecção para as dores e mais antibíóticos e anti-inflamatórios lá deixei de tremer. Mas não me fizeram nada ao dente... Nadinha mesmo.
- Tá inflamado, não pode tratar. Vai levar medicamentos para 5 dias e volta depois. Daqui a 9 dias, que é quando há vaga. Antes não.
Ok, jurei de novo que nunca mais!
E passaram os 5 dias. O antibiótico já era e sobra-me apenas um Clonix. Mas o Clonix não é um comprimido qualquer... está reservado mesmo para emergências emergentes.
E eu cá continuo à espera da consulta. E só eu mesmo, pois a dor felizmente passou. Será que se cansou de esperar pelo tratamento? Epá, só sei é que espero que não volte tão cedo. Oxalá!

24.1.08

E o dia começa assim...


Luanda, 8.00 da manhã. Saio pela porta do 'meu' Hotel Presidente e respiro fundo. Inspiro e admiro incrédulo a imagem.

Suspiro aliviado...

Ontem cheguei ao hotel e só por acaso não estacionei ali mesmo...

Ah.... e a mancha preta no chão...? É gasóleo sim. Entro apressado no meu carrinho e sorrio, abandonando o local.

Sorte. Hoje só pode ser um dia bom...

19.12.07

Porque aqui tudo acontece

Sim, aqui acontece de tudo um pouco.
Esta notícia diz tudo. Irreal.
Estamos em Luanda.
Qualquer semelhança com a ficção é pura realidade.

5.12.07

Vim para ficar


Vim para ficar. Parece ser o que ela me quer dizer... Recebo-a feliz todas as noites, pela janela do meu quarto, mas de dia sou eu quem dá o primeiro passo e a visita por acasos momentos, beijando-a quando me cruzo com ela nas ruas que também cruzo. Uma relação com uma semana, quase incessantemente. Quente. E tudo começou por acaso... Eu confesso que nem fiz nada por isso. Não esperava. A verdade também é que já nem me lembro como tudo começou... só me lembro de um céu rosa vivo, mesmo antes de a ter visto de relance pela primeira vez. Se já a tinha visto mais vezes? Sim, foi logo o que pensei... E creio mesmo que sim. Bem, mas ela aproximou-se de mim logo de uma forma muito intensa - no início é sempre assim com todas as coisas que nos surgem de surpresa. Surpreendeu-me a mim e a toda a gente que me rodeia. Mas agora tudo é mais doce... sim, mais duradouro também. Tem vindo todos os dias e ficado por longos minutos. Cada vez passa mais tempo comigo e agora até já corre comigo na marginal ao final de cada dia. Por vezes fico mais feliz, outras mais triste... tem dias. Uma vez me lembro que até me chateei seriamente quando ela me incomodou sem eu querer durante um almoço de esplanada, o que me obrigou a afastar-me um pouco. Decidi-me forçosamente e disse que não a queria mais. Estava farto, pois tudo tem uma hora e um momento para acontecer. Mas depois pensei melhor e desculpei-a, abraçando-a em plena rua. No fundo, temos uma relação igual a tantas outras... Um misto de emoções. Tentativas de equilíbrio. Assim vos digo que faz hoje uma semana que o fazemos todos os dias, e hoje já é quase rotina e até estranho quando acordo e não a vejo ao meu lado. Mas sou feliz sim. E ela também, pois volta sempre depois de cada despedida e de cada beijo molhado. Sim, somos felizes.

Chuva. Faz hoje uma semana que chove em Luanda.

O sol já quase nem o recordo... não o vejo por aqui desde a mesma altura. Dizem as boas línguas que o sol e a chuva partilham uma amizade colorida, e que sempre que se juntam se amam e enchem o céu dessas cores dessa amizade. Mas é raro por aqui... Devem estar chateados. Entretanto já sei que o sol voltará em breve. Sim... vai voltar. Deixou aqui o seu calor.

27.11.07

A sério? Epá...

Ontem mesmo chegou até mim esta notícia.
É. Luanda é a cidade mais cara do mundo.
E eu penso: - Mas será mesmo? Penso nisso logo de manhã, enquanto pago 3 Usd por um café no hotel, depois de uma tosta mista e de um sumo qualquer que paguei antes com 20 Usd.
Será mesmo? Mantenho esse pensamento à hora de almoço, enquanto tento comer alguma coisa à pressa no restaurante mais barato e apressado dos arredores, e onde pago também à pressa 30 Usd pela refeição. Será mesmo? À tarde não lancho e por isso não penso nisso. Mas chega a noite e janto num local mais confortável, e com mais tempo e continuo com o mesmo pensamento enquanto tiro do bolso uma nota de 50 Usd para pagar o jantar. Chego ao parque do Hotel e o segurança (- Tá seguro, chefe!) olha-me com maus modos porque lhe dou apenas 100 Kz. Contando por alto os Kuanzas que ficaram arrumados nos bolsos dos miúdos que encontro durante todo o dia, chego a contar 10 Usd. Isto tirando os jornais que não leio, mais os cafés que não tomo e a água que não compro... enfim, todo um dia de privações.
Eis que me deito à noite no meu quarto de 300 Usd e chego a uma conclusão finalmente: Luanda? A mais cara? Naaaa! Epá, vê-se logo que esta gente que faz estes estudos não percebe nada disto. Vocês sabem onde é que é caro, mas mesmo caro? Mas caro tão caro que até chateia? É em Ermesinde. Acho...

11.10.07

A Factura


Já vos falei do difícil que é conseguir aqui uma factura nos restaurantes...
Pois bem, esta foi a mais fácil. E original, sem dúvida. Foi na Barra do Dande, na Dona Alice. Reparem no "Obrigado e Volte Sempre", em letras bem redondinhas. Um mimo!
Será que dá para o IRS? Hum...

28.9.07

O Cinema

Hoje fui ao cinema ao Belas Shopping.
Sim... Estou em Luanda, claro! E o Belas Shopping é um centro comercial, inaugurado há pouco mais de um ano, e com muito bom aspecto. Quase parece que estamos em Portugal, e por momentos até tenho de pensar duas vezes para não pensar que sim. É um espaço agradável amplo e fechado, com lojas chiques e caríssimas, com um hipermercado e com um espaço de restauração onde se pode encontrar a Portugália ou outros restaurantes de todo o mundo. Todo... menos de Angola.
Bem, mas voltando ao cinema: numa das seis enormes salas do espaço que pouco tem a ver com Angola, decidimo-nos por ver o filme que mais tinha a ver: O Último Rei da Escócia. Sim, eu sei... já está aí em DVD, mas por cá ainda é o que se encontra de mais actualizado no mundo do cinema. E gostei. Muito! É daqueles filmes que dá que pensar, sobretudo a quem se decide a vir para África, ou a não vir. No principal papel vemos brilhando Forrest Whitaker, dando vida a Idi Amin Dada, antigo e controverso presidente do Uganda. E o Uganda está aqui tão perto, na distância e no tempo...
Aqui damos um sabor bem mais especial a estas coisas... A verdade é que o filme, sendo ficção, retrata uma história bem verdadeira e escondida dos olhos da humanidade durante muito tempo. Só consegui adormecer depois de pensar que em Angola isso seria impossível de acontecer nos dias de hoje. Tudo aqui está, afinal, à vista de toda a gente. Do mundo inteiro, ou para quem quiser ver.
A quem não viu ainda... recomendo.

30.7.07

Dia 50 - O Acontecimento

É o acontecimento do ano em Angola e por isso todo o país se prepara para receber o AfroBasket 2007. É o 24º campeonato africano de basquetebol masculino, que tem Angola como anfitriã e também como actual detentora do título. No basket eles são grandes! E literalmente também.

O campeonato irá decorrer entre os dias 15 e 25 de Agosto em quatro cidades de Angola. Benguela, Lubango, Huambo e Cabinda vestem os seus trajes de gala e mostram Angola ao mundo. No entanto, é o estádio da cidadela em Luanda que servirá de palco e receberá a cerimónia de abertura e o jogo inaugural do campeonato: Angola vs. Ruanda.

Aqui pelo hotel andam os Harlem Globetrotters... Devem cá estar para a cerimónia de abertura, ou para uma outra demonstração qualquer. Eu é que já dei um jeito qualquer ao pescoço só de olhar para eles. De muito baixo para muito cima. Enormes!
Mas vejam estas imagens de Luanda. Convencia qualquer turista, não acham?

26.7.07

Dia 46 - As Cidades e os Nomes

Tive curiosidade e procurei um pouco pela internet pelos antigos nomes das principais cidades de Angola. Então fiquei a saber, por exemplo, que Luanda se chamava antigamente de São Paulo da Assunção de Luanda. Confesso que agora está bem melhor. É Luanda para os amigos.
Entretanto reparei que, infelizmente, nem todas as cidades tiveram a mesma sorte... Por exemplo a antiga Vila Robert Williams que passou a chamar-se de Caála, ou a Vila João de Almeida que agora é Chíbia.
Segue então a lista de alguns nomes do antigamente, quando até os nomes eram nossos.

Amboim (Porto Amboim)
Bailundo (Vila Teixeira da Silva)
Benguela (São Filipe de Benguela)
Calandula (Duque de Bragança)
Camacupa (Vila General Machado)
Ganda (Vila Mariano Machado)
Huambo (Nova Lisboa)
Kuito (Silva Porto)
Kuvango (Vila da Ponte)
Lubango (Sá da Bandeira)
Lwena (Vila Luso)
Massango (Forte República)
M'Banza Kongo (São Salvador do Congo)
Menongue (Serpa Pinto)
Namibe (Moçâmedes)
N'Dalatando (Vila Salazar)
N'Giva (Vila Pereira d'Eça)
Saurimo (Vila Henrique de Carvalho)
Soyo (Santo António do Zaire)
Sumbe (Novo Redondo)
Tombua (Porto Alexandre)
Uíje (Carmona)

25.7.07

Dia 45 - Os Kwanzas


O Kwanza é, como sabem, a principal moeda de Angola. Ou melhor escrevendo: é a principal nota, pois não há moedas.
Como nota é uma moeda que ganhou nos últimos anos uma valorização incrível. Enquanto que no último passar de século um dólar equivalia a uns bons milhares de kwanzas e consequentes saídas à rua com um grande saco de notas (ao estilo pai natal), hoje um dólar ‘paga-se’ com 75 kwanzas apenas. Umas notitas.
Deixo-vos algo matemático e útil para quem vem de visita a Angola: 1 € = 100 Kz = 0,75 Usd. É fácil. Não é um câmbio fixo, mas é mais ou menos. Nas ruas e nas lojas e restaurantes praticam-se taxas diferentes consoante o sítio (entre 73 e 77 Kz por dólar), por isso é preciso também ter algum cuidado com o troco em Kwanzas... Por vezes compensa, por outras vezes não. Mas em 90% dos casos o câmbio é a 75 e não há contas difíceis a fazer. Além disso, convém sempre dar de vez em quando algum uso à calculadora que vem no telemóvel, certo?
Mas a verdade é que com dólares no bolso vamos a todo o lado e paga-se tudo, embora o troco seja sempre dado em kwanzas. Os angolanos não gostam de dólares mas aceitam-os olhando sempre para a nota quando lhes damos uma. Desconfiados conferem se o presidente americano em cada nota tem ou não uma cabeça grande… (um pouco como o actual: todos têm de ser cabeçudos). Isto porque reza a história que há uns tempos atrás circulavam por aqui imensas notas falsas de dólar, o que obrigou à emissão e circulação de novas e diferentes notas, estas com os presidentes bem maiores e mais cabeçudos que então. E desde então, como um ritual que se criou no povo angolano, as pessoas olham sempre para as notas a confirmar as cabeças. Mas não gostam mesmo do dólar, e um exemplo é as gasosas que se dão. As pessoas da rua preferem os kwanzas, que são mais coloridos. E preferem por exemplo 100 Kz do que se lhes dermos 2 dólares.
Quem é inteligente? Eles, claro.

19.7.07

Dia 39 - A Gasosa

A gasosa aqui é a moeda de troca nas ruas. De troca por nada. Mas todos a querem e tudo se obriga a trocar por uma gasosa. Mas atenção… não confundir.
Gasosa? Ah, gasosa é fácil! Gasosa aqui é gorjeta. Claro. E todos a pedem. Por tudo e por nada. Os arrumadores, os putos e os seguranças da rua. Nos restaurantes, nos hotéis e até nos hospitais. E a polícia, cá está. Essa pede descaradamente.
Bem… a verdade é que nem todos pedem. A polícia sim. Mas é normal dar-se quase sempre qualquer coisa a qualquer gente por quase nada. Uns cem ou duzentos Kwanzas satisfazem o arrumador ou segurança de rua que nos guarda o carro por uns momentos. E até que é merecido. Mas atenção que dá-se a nota sempre no fim, quando voltamos ao carro e ele ainda lá está. O carro.
O mesmo valor de 100 Kz satisfaz igualmente a criança que nos aborda na rua ou quem nos serve à mesa no restaurante. Para quem quiser dar, claro. Mas é normal que se dê.
Quanto à polícia que nos manda parar…bem, aí o valor a dar depende sempre da razão. E do número de polícias que ali estão. E da boa disposição também. A deles e a nossa. Se tivermos os documentos todos, os ‘normais’ documentos pessoais e do carro, não há problema e passa-se com uns 20 dólares, cujo motivo da coima pode ser até pela cor do nosso carro. Mas normalmente é pela cor da nossa pele. Se nos falta um documento importante, isso pode ir até aos 100 dólares, dependendo também dos factores que acima mencionei. E é preciso saber negociar, claro. Normalmente a conversa começa com: - Senhor agente, e como é que podemos resolver isto?
Fácil. Uma gratificação que sai das nossas mãos e logo se cola e se reparte nas deles.
Afinal tudo aqui funciona e se move com gratificações. É apenas isso que temos de entender que é de facto visto como algo normal. E temos de nos render às evidências: o país inteiro foi assim construído, e é só assim que nele se vive e resiste.

18.7.07

Dia 38 - Os Dizeres

Aqui fala-se em bom português. Bué bem, por acaso.
'Iá' é típico desde o povo na rua aos donos do povo da rua. Em desconversas de café ou em reuniões de Administração o 'iá' é usual e substitui o sim.
Também há o 'desconseguimento', que se usa quando algo não corre bem.
- Cheguei atrasado Chefe, tive um desconseguimento. Então com a pronúncia daqui... Espectáculo!
Ao dizeres 'bom dia' recebes com simpatia um 'sim sim', ou um 'bom dia, sim'. Sempre o sim, depois de um obrigado ou de qualquer outro cumprimento. Neste caso não há 'iá'.
Mas ainda há o 'ainda'. E 'ainda' é ainda não. Realmente, para quê complicar? Eles é que sabem.
Já fez o que lhe pedi?
- Ainda.
Muito bom.


10.7.07

Dia 30 - A Cuca


Cerveja.
Já aqui tinha falado com prazer sobre a sagres bohemia. É a minha preferida, claro. Hum... depois da Carlsberg. Mas aqui em Luanda fiquei surpreendido pela variedade de marcas de cerveja disponíveis no mercado. Há de tudo em qualquer bar ou restaurante de esquina. Em lata, garrafa ou mesmo a imperial fresquinha. Não fazia nem ideia.
Também há vinho... e do bom. Os vinhos portugueses, tal como os portugueses, também se encontram aqui ao virar de cada esquina. Mas não são para qualquer bolso. Não mesmo. Uma garrafa de Monte Velho chega a custar mais de 50 dólares e por isso beber vinho aqui é, mais do que um prazer, um acto de afirmação social. É in. É para quem pode e precisa, ou só para algumas ocasiões bem especiais.
Resumindo, ainda não bebi vinho.
Mas felizmente há a Cuca, que é a cerveja de cá. Tem nível. Com surpresa. É leve e bebe-se bem. Estilo cristal, mas melhor. A Cuca é o 'Matias Damásio' aqui das cervejas. Ficamos desde logo a gostar, como um quase amor à primeira garrafa, que curiosamente é de 31 cl. E o que significa CUCA? Companhia União Cervejeira de Angola. Do best.

9.7.07

Dia 29 - A Música

Incrivelmente soube que na noite louca que passei há uns dias atrás no Jango presenciei a actuação de um artista de top aqui em Angola. Matias Damásio, de seu nome. Pelo aspecto ninguém diria... Mas é. E depois percebi porquê. 'Porquê' é o nome do hit que se tem ouvido por aqui. Muito bom.

Também Paulo Flores tem estado presente na música dos nossos dias. E noites. No trabalho, no quarto, no carro e nas noites passadas junto à praia. Haja boa música, e ele está lá.

Sei pouco mais de sons por aqui... Sou bom ouvinte mas péssimo para nomes. E os nomes aqui são bem difíceis, raios!
Mas para os interessados, cá vai um pouco de som e ritmos africanos, desde Luanda com carinho. E boa música.

4.7.07

Dia 24 - A Gasolina

Aqui o litro é a 40 Kz. Quarenta cêntimos. Dava um jeitão se pudesse levar uns garrafões comigo para Lisboa. Hum... mas não deve dar.
Abastecer o carro aqui é uma aventura sem igual. Desesperante. Filas de horas com filas de vendedores (como em todo o lado) que nos tentam vender de tudo. E enquanto estamos na fila para abastecer podemos abastecer também a nossa casa. Mas chateia. Muito.
Embora os postos de abastecimento tenham serviço de cada um dos lados das bombas de combustível, aqui o curioso é que os senhores que nos abastecem o carro (sim, o self service ainda é um mito aqui...) só o fazem se o depósito estiver do lado certo. Muito bem. Então como a maioria dos carros têm depósito do lado esquerdo, vêm-se filas de carros até á estrada e pela estrada fora para abastecer num único lado, o direito. E o outro lado sem ninguém! Não me lixem. Não há direito. E de vez em muito lá vem um sortudo sorridente com um carro das arábias com depósito dextro e ri-se pra nós enquanto passa e abastece. Chamo-lhe nomes, entre os dentes.
Aqui a Sonangol rules. A maior parte dos postos de combustível são deles. Mas são sempre poucos, e num país com tanto petróleo as coisas deviam ser bem diferentes. Os miúdos e graúdos fazem negócio, claro. Aqui tudo é negócio. Vão comprar gasolina, com os seus garrafões e tentam vender depois a quem passa e pára. Ou a quem perde a paciência nas filas para abastecer e não se importa de pagar um pouco mais. Uma margem para o vendedor inteligente. O pior de tudo é que, por esta causa ou não, muitas vezes as estações de serviço estão fechadas por não terem combustível (?). Pois... anda à venda nas ruas.
Abastecer é mais uma pequena aventura nesta grande aventura que estou a viver em Luanda, onde infelizmente não há transportes públicos (quer dizer, até há...) e o carro é a única forma de nos deslocarmos de um lado para outro. E temos mesmo de o fazer, senão damos em loucos. Ainda mais.

2.7.07

Dia 22 - O Girabola

O Girabola é o campeonato angolano de futebol.
Enquanto em Portugal se vive agora a divertida pré-época futebolística (Derlei vai para o Sporting), aqui o Girabola está ao rubro. Este fim de semana jogou-se a 15ª de um total de 26 jornadas. E a classificação actual é a que segue:

1º de Agosto - 35 pontos

Inter de Luanda - 32 pontos

ASA - 29 pontos

Petro de Luanda - 27 pontos

Por outras palavras. Os militares vão na frente, perseguidos pelos polícias e com os aviões em terceiro - o ASA - Atlético Sport Aviação, com o nosso mister Manuel Fernandes é o meu preferido.

Logo depois na preferência vem o meu primo Carlos Mozer, com o seu 'policial' do Inter de Luanda. O Petro de Luanda do petróleo e do Bernardino Pedroto era o favorito para esta época. Era.

Este fim de semana tive a feliz oportunidade de ver um jogo na TPA (Televisão Pública de Angola). É recuar no tempo uns 30 anos. Ou mais. Uma experiência única de televisão onde só falta o preto e branco. E branco.
A propósito (ou não) o Gabriel Alves está aqui no hotel. Ao pequeno almoço tento ficar sempre perto dele só pelo prazer de o ouvir pedir um café.
Apenas como curiosidade anotei uns nomes de jogadores de renome aqui do Girabola, que só pelo seu nome fariam sucesso em qualquer campeonato: o Tonelada, o Rasca, o Sting e o Maninho Loyd. Mais o Totó, o Bébé, o Banda, o Pompom e o Lambisto.
Aguardo assim ansioso por ouvir um relato radiofónico. Com o Gabriel Alves, já agora. Se não for pedir muito.

27.6.07

Dia 17 - O Tempo

Céu: Pouco Nublado ou Limpo
Nuvens: Dispersas a uma altura de 823 m
Visibilidade: Superior a 10 km
Temperatura Máx: 26°C
Temperatura Min: 18°C
Velocidade do vento: 8 Km SSW
Nascer do Sol (WAT): 06:21
Pôr-do-Sol (WAT): 17:58
Humidade: 69%

Mas sobretudo queria contar-vos sobre o outro 'tempo'. O meu. O tempo que tem sido pouco e que infelizmente (ou não) me dá pouco tempo para ir actualizando este meu diário.
Há ainda o vosso tempo. O que me dedicam e eu muito agradeço, pela amizade e coragem que me devolvem aí desse lado.
Continuarei.

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