É pensar no tempo que falta, no tempo que não volta e sufoca, e nas voltas da vida que o tempo nos dá. Fica a esperança de que o tempo aqui me sorria e me traga a vida de volta.
E tem sorrido...
26.6.07
Dia 16 - O Trabalho
25.6.07
Dia 15 - Os Vendedores
24.6.07
Dia 14 - A Paz
Domingo é o dia mais triste. É sempre um dia de despedida ou de saudade. Sempre foi. E após 15 dias aqui, é-me hoje mais difícil manter o pensamento ausente da falta que o coração sente.
- Nunca mais é segunda!...
Não gosto desta paz. Pois prefiro que passe depressa, e que ao Domingo seja sempre assim. É menos um dia aqui.
23.6.07
Dia 13 - O Dia mais Longo
Espreitei pela janela o amplo ginásio, cheio de equipamentos (e bons, hã?) e vazio de gente. Tem também sauna, banho turco e jacuzzi. À maneira.
A piscina é ao ar livre, num espaço todo ele decorado a rocha nas paredes, com uma cascata fingida ao fundo, dando para a água fresca da piscina. Um bar logo à entrada (fechado, pois é inverno), e um espaço de esplanada, com mesas e cadeiras de madeira, separado da piscina por um pequeno muro e pela relva que lhe segue, onde se espalham cadeiras de praia. Passei aí a tarde.
Mais um convite para jantar. Desta vez conheci o Pinto's, em plena baixa da cidade. Muito agradável. Muito fino também. Caro, claro. Boa companhia. Mas gostei... Irei repetir mais vezes.
A noite reservava-me ainda o melhor da cidade: O Chill Out. Foi muito fácil gostar daquele espaço, ao ar livre e junto à areia da praia. É restaurante, bar, mas àquela hora é sobretudo uma discoteca. Mas com classe. Difícil foi pensar que estava ainda em Luanda. Muitos portugueses, boa música e melhor vista (tem várias interpretações).
Um mundo à parte. Outro mundo que não este. E pela primeira vez aqui senti pena pelo passar das horas. Neste calor da noite, sentia-me presente, mas ao mesmo tempo tão distante, desta indescritível realidade que é Luanda.
22.6.07
Dia 12 - O Dia mais Louco
Enfim, mas o melhor estava reservado para a noite. Literalmente, uma loucura. Ao hotel vieram buscar-nos um amigo de um amigo e o amigo do amigo desse amigo. O louco. Com o seu Volvo 3500 do século passado. Só não era um carro de combate pela velocidade que tomava. De resto até parecia que tinha lagartas. E o condutor só não era um louco porque... - não, afinal esse era mesmo louco. Um 'louco' que mete os candongueiros a um canto (e literalmente também). Com ele experimentei ultrapassagens pela direita, pelo meio dos carros, pelo passeio e em sentido proibido. E tudo isto em alta velocidade, por estas ruelas de Luanda. Ele é o maior, o louco. O maior. Está cá há 5 anos em Luanda... mesmo assim não tem desculpa. Nem juízo.
Bem, enquanto me beliscava para ter a certeza que estava ainda vivo e acordado, já fora do carro de combate, eis que algo faz de novo o meu coração bater mais depressa (mais ainda que quando vi a noiva). Ouvi um "clac-clac" e depois um tiro. A uns 20 metros de nós. Alguém achou que devia tentar roubar um carro ali mesmo, e os seguranças responderam, como mandam as regras: primeiro um tiro ao homem, depois um segundo tiro para o ar. Metralhadora AK47. É normal, dizem. Desconheço o resultado final da história, mas o tiro foi só um que se ouviu. E não foi para o ar.
21.6.07
Dia 11 - A Tendinha
20.6.07
Dia 10 - Os Carros
Hummers, SUVs, Jeeps e Mercedes, esses sim, há que nem corsas aí em Portugal. Em cada rua que passo ou a cada passo que dou vejo carros que nunca tinha visto na vida. Desde os grandes 4x4 até pequenos carros coreanos e japoneses. Mas dominam as ruas os Toyotas. É sem dúvida a marca mais vista por cá. Há também os candongueiros - os transportes públicos (!) de Luanda, cujos condutores (?) são sem dúvida os mais perigosos na estrada. Sempre cheias de gente, as Toyota Hiace azuis e brancas ditam as leis nos cruzamentos e rotundas. Com nove lugares, mas onde vão sempre 90 pessoas, elas passam sempre primeiro que os outros, porque se metem mesmo onde não dá para passar. Porque são os maiores na estrada. E os passeios também contam, claro. São mesmo os maiores.
Os polícias de trânsito, onde os há, requerem escolta policial armada, dada a frequência com que estes são atropelados. Vêem-se alguns exemplares vivos, com um apito de brincar na boca, e que ajudam assim a uma maior confusão ainda. Mas ninguém lhes liga. Há também passadeiras por aqui, e alguns semáforos... Mas tal como os sinais de trânsito, nada significam. Existem apenas para não serem respeitados.
