
É pensar no tempo que falta, no tempo que não volta e sufoca, e nas voltas da vida que o tempo nos dá. Fica a esperança de que o tempo aqui me sorria e me traga a vida de volta.
E tem sorrido...
1.3.08
Até breve

27.2.08
Que M....

17.00: Saio do trabalho e pego no carro. O objectivo é chegar a horas à clínica dentária, cerca de 2 Km e hora e meia de distância. Pouco preocupado com a distância e o tempo, pois afinal tenho 90 minutos para fazer 2 Km... Mais preocupado sim com o resultado final da consulta e com o sofrimento que adiei... até hoje. É que extrair um dente em Angola é mais que motivo para preocupação...
17.30: Reparo que estou ainda no meio do trânsito... Andei 200 metros, se tanto... Mas continuo confiante. Deve ser só aqui a confusão desta rua, depois é sempre a andar...
18.00: Ainda estou na mesma rua e já decorei os anúncios todos nas casas de ambos os lados. Já meti a conversa em dia pelo telemóvel e sintonizei e gravei as estações de rádio que mais me interessam. Cantei um pouco, até reparar que no carro ao lado estavam a olhar para mim e a julgar-me doido. Contive-me. Vi finalmente se a documentação do carro estava ok e repreendi-me quando olhei para a porta e vi o lixo que se acumula, com os pacotes de leite e de sumo vazios que são por vezes o meu pequeno-almoço. Olho para o relógio e apercebo-me incrédulo que em meia hora andei apenas 10 metros. M…
18.30: Já comprei pastilhas a um miúdo que passou, para aliviar o meu stress. O ar condicionado do carro é fraquinho e começo a sentir um calor que nem sei se é do sol ou do nervosismo. Tento não pensar na consulta e no dente que vou extrair, mas acaba por se tornar inevitável. Penso que devia ter tomado o último Clonix, ou alguns comprimidos para dormir, mas que se lixe... Sou forte, não é? Ligo para a clínica, a informar que devo chegar um pouco atrasado... Afinal andei apenas mais 10 metros, mas a rua também está a acabar... Agora é só passar o cruzamento e depois é sempre a abrir. E da clínica respondem-me com o tradicional "- Não há problema”. Relaxo...
19.00: Começo a dizer asneiras. - E os carros não andam porquê? - Tu aí, anda mas é com isso! Passei o cruzamento mas o trânsito continua parado. Estudo outras alternativas, outros caminhos para chegar mais depressa ao mesmo destino... Mas aqui é tudo sentido único, não tenho hipóteses, nem para trás nem para a frente. Bem, o que vale é que liguei para a clínica a dizer que estava atrasado... Não há problema.
19.30: Estou quase, quase a chegar! É já a rua seguinte! Já sorrio, um pouco sem razão, porque afinal vou tirar um dente, não devia estar a sorrir... Mas ao menos saio deste trânsito infernal. E além disso dói-me o corpo de estar tanto tempo sentado no carro. Ai, que vontade de chegar ao dentista! Está quase! Já canto de novo, por entre as asneiras e um trânsito nunca visto...
19.45: Toca o telefone. Olha, é da clínica! Fixe, se calhar estão preocupados comigo... – Senhor, já passou da hora, fechamos às 19.30, não vai dar. - Mas eu estou já aqui! E é só virar a esquina e estou já aí! - Sim, mas o doutor já foi embora... não vai dar. - Mas a senhora disse-me que não havia problema... Eu liguei a dizer que estava atrasado e além disso estive 3 horas no trânsito para cá chegar! - Pois... mas agora só para a semana. - Que m...! Olha, vai… E chamo-lhe alguns nomes e desligo só depois.
20.00: Continuo chamando-lhe nomes enquanto perco a paciência no trânsito intransitável e nas horas intermináveis que me esperaram no ansioso regresso a casa.
25.2.08
Mais...
18.2.08
O Super
E assim fui ao início da noite para o fim do mundo. A princípio a medo, por entre os milhares de pessoas que se aglomeravam à entrada do estádio... E Medo porque realmente éramos os únicos algo "diferentes" por entre esses milhares de pessoas, e entre o dobro dos olhos desses milhares de pessoas olhando para nós. Vigiando-nos. Depois sentimo-nos mais confiantes, seguindo as filas indianas que curiosamente as pessoas respeitavam sem qualquer hesitação até à porta de acesso ao estádio. Ok... talvez os polícias com cães de guarda e bastões ameaçando agredir as pessoas para que elas se mantivessem em fila única tivesse ajudado um pouco para isso... Hum... Pois, era isso. Mas lá entrámos cercados, cerca de uma hora depois.
Já dentro do estádio... senti um arrepio. Mais milhares de pessoas enchiam o reduto no relvado (?) e nas bancadas, dando ainda mais calor à noite quente. Resmas de gente, num ambiente colorido e surpreendente. No palco, o grupo angolano Impactus 4 dava o ritmo e o ambiente q.b. para animar a festa. Muito bom!
Conseguimos lugar na bancada, num lugar tranquilo (dentro do possível...) mas longe do palco. Animado. Com o Dj Malvado (um Dj, como é normal num festival de ROCK...) no intervalo, vieram depois os Xutos e Pontapés. E pontapés só no palco mesmo. À nossa volta toda a gente dançou, pulou e cantou todos os êxitos com que eles nos brindaram. E nós brindámos a eles. Epá, é mesmo impressionante como os nossos dinossauros são conhecidos em todo o lado, até mesmo em Angola! Regressei por momentos a Portugal. "À minha casinha". Senti-me lá mesmo. Recuei nostálgico no espaço e no tempo, aos meus tempos de adolescente. Fiquei quase sem voz. Lembro-me que o primeiro concerto que fui na vida foi mesmo de Xutos e Pontapés, há já (...) bem, há bué anos. E desta vez foi como se tudo se repetisse, como uma segunda primeira vez... Entretanto cheguei à conclusão de que sei ainda de cor as letras! "À minha maneira" e "Não sou o único" foram puros exemplos disso. E não era mesmo o único a olhar o céu daquela noite. Foi mesmo um festival com sabor autêntico.
NDR - A parte do "não bebo álcool" é mesmo verdade... E já lá vão 15 dias, um autêntico record pessoal. Senhores artistas, abram os olhos! Para quando o festival Super Sumo Super Rock? Pode ser???
12.2.08
E fui ao Dentista
6.2.08
Onde o Rio se sente Mar
Bico do Rio Kwanza. Um braço de areia branca que adia e suaviza o confronto inevitável entre o imenso rio e o mais imenso mar. Foi esse o nosso feliz destino no passado fim-de-semana. Penso que já era esse o nosso destino, mesmo antes de o sabermos... Tem sido assim em tudo o que acontece: simplesmente tudo o que acontece é porque fazemos acontecer.
Foi até decisão de última hora, de um último instante para uma viagem inadiável. Isto porque se disse que era uma espécie de santuário de tartarugas e tal, e era agora o momento e ali o sítio certo para as ver no seu demorado ciclo de vida: criando vida. E fomos assim a tempo de dizer "vamos lá!" e comprar e arranjar tudo o mais que precisávamos para dois dias bem diferentes. Incluindo tendas. A verdade é que com toda a vontade e grandes amigos conseguimos tudo. E querer foi mesmo poder. Aconteceu.
A verdade também é que a princípio nem sabíamos o caminho. Só mais ou menos… Fomos num confiante "- Iá, acho que é por ali!", mas foi mesmo assim e por isso mesmo uma viagem magnífica. E já quase no fim, no “estamos quase lá!”, os nossos jipes enterraram-se parcialmente na areia quente, querendo ficar mesmo ali. Pensámos sorrindo. Olhámos para o horizonte e convencemo-nos a chegar mais à frente. "- Lá ao longe, mais perto!" Lá mesmo onde o rio se confunde no mar. E com a mesma e renovada amizade e ainda maior vontade, com muito calor de um sol de meio-dia e com menos ar nos pneus (grande ideia!), lá conseguimos alcançar o sítio desejado. E merecido.
A tarde passou-se assim merecida entre o mar e o rio. Entre o início do mar e o fim de um rio, numa beleza imprevista e incontável, só vivida pelas ondas daquele mar e pela corrente daquele rio. Nem sei bem qual o mais imponente. E só nós no meio, delirantes. Nós, o sol e a areia quente. E a geleira bem fresca junto ao mar. Ali ficámos assim, em frente ao mar e enfrentando as ondas até ao magnífico pôr-do-sol.
Passeio pela praia deserta. Uma tartaruga deu-nos a prova morta de que estávamos mesmo no sítio certo. Era ali! E a noite tornou-se assim inadiável ansiedade…
Montámos acampamento e aguardámos em amplos sorrisos, saboreando as estrelas e desafiando desafinados a sua distância com o som das nossas vozes e com o calor da fogueira. Almas aquecidas com um doce sabor a juventude.
Veio a noite apressada. Veio os vinhos e os queijos e os grelhados na fogueira. O gin tónico. As mesmas vozes se aqueceram e se dispersaram no silêncio harmonioso das ondas do mar. Depois, um novo passeio pela praia e sob as imensas estrelas. A luz de uma lanterna apontada pela noite e pelo mar adentro não nos deu de volta nenhum sinal de tartarugas… Desilusão? Nem por isso… Foi esta afinal a única coisa que faltou para tornar esta noite perfeita. E é tanto o mais que fica por dizer…
Adormecemos e acordámos sorrindo no dia seguinte, ao som das mesmas ondas do mesmo mar, e entregámo-nos de seguida à sua força e ao seu majestoso sabor. Continuação de um sonho, de um fim-de-semana que afinal foi mais que perfeito, e que terminou como já tantos outros, sempre nostálgico em cada inadiável regresso a Luanda. A verdade é que nem sempre o sonho termina… Este continua sempre e bem presente, como um início que agora sinto contínuo. Como o horizonte que observo em cada dia que passa. Como algo interminável, em cada sorriso que dou. Até ao infinito.
29.1.08
Além do Sul... a Porta do Tempo
Hesitando no ficar, acabamos por regressar bem tarde e pela noite dentro. E pela estrada fora nos acompanham milhões de estrelas, bem alto e bem visíveis num céu nunca antes visto, substituindo a luz da lua que hoje não veio ao nosso encontro. Regresso a Luanda a cantar, a sorrir e a sonhar meio acordado. Depois retomo renovado o meu tempo no dia seguinte. Conformado, ganhei ânimo para continuar perseguindo-o.
24.1.08
E o dia começa assim...

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Suspiro aliviado...
Ontem cheguei ao hotel e só por acaso não estacionei ali mesmo...
Ah.... e a mancha preta no chão...? É gasóleo sim. Entro apressado no meu carrinho e sorrio, abandonando o local.
Sorte. Hoje só pode ser um dia bom...
22.1.08
Muito...
13.1.08
Ano novo...
...Vida nova.
Regresso a Luanda. Uma Luanda calma, sob um céu nublado e cinzento, como um perfeito dia triste. Mas eu sinto-me forte e confiante. Feliz e decidido. Sentindo em mim uma felicidade presente, embora invadida em momentos pelo passado e pela tristeza que deixo em quem deixei. Tristeza que também sinto.
Mas decidido enfrento o novo ano com um novo olhar. E olho assim adormecido sobre a cidade através da janela do meu quarto de hotel. Desta vez vejo o mar e a marginal lado a lado. A calma. Vejo a calma presente nesta cidade no meu primeiro final de tarde e descanso também o meu olhar sobre o horizonte. Fecho os meus olhos com um suspiro e inspiro o ar quente da cidade, preparando-me para mais um desafio, para mais um ano que começa. Também eu começo e renasço. Tudo de novo.
O céu invade-se de cor com o fim do dia, mas o mar continua cinzento como nuvem. Estranhamente belo. Estranho e imenso mar. E contemplo-o com um sorriso tímido e deixo-me assim ficar...
É que mais vale olhar para um mar cinzento, do que um mar cinzento no olhar.



