É pensar no tempo que falta, no tempo que não volta e sufoca, e nas voltas da vida que o tempo nos dá. Fica a esperança de que o tempo aqui me sorria e me traga a vida de volta.
E tem sorrido...
26.9.07
Dia de Atraso
24.9.07
Rumo ao Norte
Uma vez passando o Cacuaco, a miséria dá lugar à beleza da paisagem, que une através da estrada a terra vermelha a nascente e o mar azul a poente. Surgem os imbondeiros e as palmeiras e os coqueiros e mangais, aqui e ali, em verde esperança, salpicando o horizonte. Mas também aqui a pobreza reaparece e nos acompanha inquietante na viagem, para que não nos deixemos de lembrar onde estamos, ou para nos fazer ver que aqui nunca há sonho sem pesadelo. Nunca. Mais lixo e quase casas e mais gente que nem é gente, vivendo em sobrevivência.
Deixamos a estrada principal que segue para o Caxito e viramos à esquerda até ao litoral, rumo ao mar e ao destino planeado antes na partida: A Barra do Dande.
Andámos 60 Km desde que saímos de Luanda, demorando-nos no percurso por quase duas horas, detidos pelo horror contido do trânsito e da paisagem e pelos buracos que fazem a estrada. No entanto, tudo muda. Chegando à Barra do Dande, e depois da nova ponte que liga a aldeia à outra margem do rio encontramos enfim uma praia sem fim. Deixei-me encontrar por um paraíso selvagem que me ilumina os olhos bem mais que a ténue luz do sol desse dia. E estava um dia quente e calmo, igual ao imenso mar turvo que apareceu majestoso à minha frente. Ao longe, pela praia e até onde a vista pode alcançar só vejo o mar, areia e coqueiros, intemporais, numa comunhão perfeita da Natureza - a única beleza infinda destas terras de Angola. Sem gente... Um resort apenas, com alguns bungalows e tendas e cabanas suspensas sobre estacas em madeira. Hum... e boa comida.
Mas cheguei satisfeito ao meu quarto, nostálgico mas cheio de coragem para enfrentar mais uma semana. A verdade é que são mesmo estes os dias que aqui valem a pena.
21.9.07
Falta um Mês...
19.9.07
Ainda a Praia
Muito além da praia, estes dias ficaram marcados por uma música que nos invadiu, que nos arrastou e acompanhou sempre para todo o lado. Aqui e para perto de quem gostamos, tão longe que deles estamos na distância. Aqui está, pertinho do coração.
18.9.07
Praia, Doce Praia
Pareceram um dia apenas. A verdade é que foram três os dias deste fim de semana, alargado e completo mas curto nas horas e na originalidade. O que fiz? Praia, mais praia e… mais praia. Três dias de mar, sol e areia. Apenas. Ah… e lagosta, até fartar.
Sábado foi dia de Cabo Ledo, de um mar mais azul que o céu, das conversas de esplanada com as lagostas do Queirós na mesa, da viagem de ida e de regresso e da noite Naquele Lugar já em Luanda. Magnífico.
No domingo descobrimos outro paraíso, em Sangano. Antes de Cabo Ledo, uma praia que pensámos quase deserta e que se tornou numa agradável e cheia surpresa ao chegar. Cheia de tudo! Tornou-se também numa angústia e tristeza ao partir. Só saímos de noite, mas realmente não queria mesmo sair de lá nesse dia. E nunca antes disso. Queria ficar e que o tempo parasse. Queria ver o pôr do sol que é algo extraordinário por aqui... Apaixona-nos. É um jogo de cores difusas lutando entre si para ganhar o imenso céu. É o sol que se transforma em tons de laranja e visível aos nossos olhos de contemplação, e depois em vermelho vivo e num fogo que ilumina em reflexo toda a baía. O mar e os rochedos. Um céu que rouba a cor ao mar e se une, num horizonte que não se distingue entre eles, desaparecendo entre a neblina. Céu e mar indistintos. E no fim do espectáculo o sol se retira, satisfeito, em magnífica apoteose. Tudo é quase mágico... intenso.
Segunda-feira decidi descansar destes dias de praia... E então fui para a praia também. Mas desta vez nem saí de Luanda... Não era preciso. O trânsito prometia ser interminável ao final do dia, para se entrar na cidade, vindo do sul, e por isso escolhi na ilha uma praia local, e dos locais, para passar mais um dia igualmente diferente. E com muita gente! Mas bom.
A praia cansa, é verdade... Após três dias desta vida difícil estou exausto. E quase preto... por fora e um pouco por dentro também. Ok, é cansativo... mas até gosto disto.
14.9.07
Porque Hoje...
12.9.07
Os Petiscos
10.9.07
O Casamento
Hoje vi as fotos e imaginei-me lá. Não me contive. Encontrei nelas um espaço quase visível entre os meus amigos, um espaço que eles mesmo guardaram para mim, para eu poder sentir-me lá. Com eles. Imaginei os risos e sorrisos, os abraços sentidos, a felicidade incontida vivida nesse dia que, como muitos outros dias convosco, não tem dia igual.
E são estes os dias mais importantes de uma vida inteira. São estes os dias recordados para sempre e que à distância se dá um valor ainda mais incalculável. Mesmo. Aqui vejo e percebo que são esses os momentos que mais sentido dão a toda a nossa existência. São os amigos e os momentos com eles vividos. É o partilhar com eles a alegria de um dia que é para um, e para todos, como família, um passo de um rumo para uma vida inteira de felicidade. E será, tenho a certeza. Irei recordar este dia para sempre pela tristeza de não ver a vossa alegria, e como um dia da minha vida que não estive presente. Um dia mais que não vivi, infelizmente.
'Incrivelmente longe é a distância que hoje me separa de vós. Penso e sorrio ao ver que os anos passam e nada muda. A amizade é tão grande e antiga que já se tornou rocha, e cada vez mais rocha, e indestrutível mesmo com esta nossa distância e com o passar do tempo.'
A falta que me fazem é bem maior que o tempo que resta para vos ver de novo. Aguardo ansioso.
8.9.07
Bom Dia Camaradas
Esta é uma pequena frase num pequeno livro que escolhi ler. ‘Bom dia Camaradas’, de Ondjaki, é todo ele saudade de outros tempos desta Luanda. Tempos outros em que a guerra consumia a esperança do povo e a felicidade se encontrava nas pequenas coisas da vida. Memórias de escola e de rua de uma criança de sorte. Recordações do povo cubano que ainda vive por cá, presente na lembrança. Riqueza das coisas pobres.
Ao ler este livro, tenho já a sensação de o conseguir entender. Conheço quase o passado. E conheço-o observando a cidade de hoje, as ruas de hoje, as pessoas de hoje, o povo de sempre. Observo todos os dias o presente e entendo assim o passado, quase presente. Basta olhar.
