É pensar no tempo que falta, no tempo que não volta e sufoca, e nas voltas da vida que o tempo nos dá. Fica a esperança de que o tempo aqui me sorria e me traga a vida de volta.
E tem sorrido...
21.12.07
O fim e o princípio
19.12.07
Porque aqui tudo acontece
Sim, aqui acontece de tudo um pouco.
Esta notícia diz tudo. Irreal.
Estamos em Luanda.
Qualquer semelhança com a ficção é pura realidade.
17.12.07
E Voei...

14.12.07
Voa voa
10.12.07
Cinco minutos
5.12.07
Vim para ficar
Vim para ficar. Parece ser o que ela me quer dizer... Recebo-a feliz todas as noites, pela janela do meu quarto, mas de dia sou eu quem dá o primeiro passo e a visita por acasos momentos, beijando-a quando me cruzo com ela nas ruas que também cruzo. Uma relação com uma semana, quase incessantemente. Quente. E tudo começou por acaso... Eu confesso que nem fiz nada por isso. Não esperava. A verdade também é que já nem me lembro como tudo começou... só me lembro de um céu rosa vivo, mesmo antes de a ter visto de relance pela primeira vez. Se já a tinha visto mais vezes? Sim, foi logo o que pensei... E creio mesmo que sim. Bem, mas ela aproximou-se de mim logo de uma forma muito intensa - no início é sempre assim com todas as coisas que nos surgem de surpresa. Surpreendeu-me a mim e a toda a gente que me rodeia. Mas agora tudo é mais doce... sim, mais duradouro também. Tem vindo todos os dias e ficado por longos minutos. Cada vez passa mais tempo comigo e agora até já corre comigo na marginal ao final de cada dia. Por vezes fico mais feliz, outras mais triste... tem dias. Uma vez me lembro que até me chateei seriamente quando ela me incomodou sem eu querer durante um almoço de esplanada, o que me obrigou a afastar-me um pouco. Decidi-me forçosamente e disse que não a queria mais. Estava farto, pois tudo tem uma hora e um momento para acontecer. Mas depois pensei melhor e desculpei-a, abraçando-a em plena rua. No fundo, temos uma relação igual a tantas outras... Um misto de emoções. Tentativas de equilíbrio. Assim vos digo que faz hoje uma semana que o fazemos todos os dias, e hoje já é quase rotina e até estranho quando acordo e não a vejo ao meu lado. Mas sou feliz sim. E ela também, pois volta sempre depois de cada despedida e de cada beijo molhado. Sim, somos felizes.
Chuva. Faz hoje uma semana que chove em Luanda.
O sol já quase nem o recordo... não o vejo por aqui desde a mesma altura. Dizem as boas línguas que o sol e a chuva partilham uma amizade colorida, e que sempre que se juntam se amam e enchem o céu dessas cores dessa amizade. Mas é raro por aqui... Devem estar chateados. Entretanto já sei que o sol voltará em breve. Sim... vai voltar. Deixou aqui o seu calor.
3.12.07
Despertar
http://expresso.clix.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/180043
Aqui tão perto de mim. Aqui mesmo ao lado, mas para além do mal que se vê nas ruas por onde passo e do pequeno mundo que observo através da minha janela.
Isto para mostrar que Angola infelizmente ainda é igual a muitos outros países no que respeita ao respeito pelos direitos humanos.
Para vos mostrar também que o silêncio também aqui ainda é a palavra de ordem. Calar ou pagar por isso.
Por isso julguei que devia divulgar a história aqui, para que nada nem ninguém se silencie. Em respeito pela liberdade de imprensa e de opinião. Sobretudo muito respeito e admiração por quem tem a coragem de abrir para o mundo uma janela que ninguém quer espreitar.
Para o António, um grande abraço.
27.11.07
A sério? Epá...
26.11.07
Fico Feliz
23.11.07
Life!
Meio de uma tarde com muito trabalho e muito pouca vontade. E sono. Muito sono.
Depois passa por mim esta música e tudo passa depois. Acordo, ganho ânimo. Desperto e sorrio.
Pela janela vejo o sol que brilha como nunca. Não o sinto, mas lá fora está um calor que não se aguenta. Observo a baía ao fundo, que me acalma com a sua calma beleza.
Sinto-me bem. Sabe tão bem... Como uma música nos transforma o dia, assim.
É meio da tarde. Partilho assim um pouco desta minha felicidade.
19.11.07
Fugir
13.11.07
Tanto, mas tanto...
Mas afinal eu sei que apenas é necessária uma: Apaixonante!
Adorei o Lubango. Amei. A antiga Sá da Bandeira invadiu-me a alma e o coração de uma forma que nem eu sei explicar. Foi tão intensamente forte! Compreendo agora a paixão que Angola transmite, a quem aqui veio e ficou, ou a quem veio para ficar. Compreendo agora que Angola não é só Luanda, felizmente! Aliás, Luanda não é Angola. Ponto.
Mas vou começar pelo princípio: Sábado, 4 horas da manhã, Aeroporto 4 de Fevereiro em Luanda - Voos domésticos. Fico desiludido porque afinal o aeroporto nem é mau de todo. Tem sala de espera, com ar condicionado e um bar. Bom ar. Estranho, tinham-me dito tão mal! Seguiram-se aqui 4 horas de ansiedade e de sono pelo avião que só partiu depois das 8 da manhã. Outra desilusão: o avião afinal era novo!?! Assim não! Eram condições a mais. Inesperadas! Mas o destino que me esperava era Lubango. Ainda mais inesperado.
Chegamos lá a meio da manhã. Tarde. Longa se torna a espera até todos estarmos reunidos e partir enfim para uma casa que teríamos ainda de procurar... E procurámos.
Lubango fica num vale, entre montanhas. A sensação que nos dá é de que estamos em Portugal, numa vila serrana qualquer, nas Beiras. Protegido e escondido entre as montanhas, como se qualquer chegada aqui fosse uma grande descoberta para quem a encontra. Fascínio quase irreal.
As ruas largas limpas e decoradas por casas baixas e coloridas. As pessoas. As crianças brincando na rua, em mistura de cores numa única cultura. Sem raças nem distinções. Os edifícios principais, coloniais e monumentais que surgem na ampla praça da cidade, com fontes luminosas entre os arrumados passeios e as árvores de fruto. Jardins. Tudo isto me dá a perfeita sensação de que descobri, encontrei Portugal em Angola. E encontrei-me a mim mesmo também. Sim.
Subimos à tarde pela serra, nove pessoas com uma “Hiace” (aqui lê-se tal e qual como se escreve) por montes e vales e rochas, até à mãe das contemplações. A Tundavala. A Tundavala é uma fenda da mãe natureza, a dois mil metros de altitude, e que nos assombra com uma visão estonteante. Vertiginosa para os sentidos. Silêncio. Calma. Religioso até… É um corte quase perfeito na rocha, a direito e a pique, por dois mil metros. Lá em baixo, muito baixo, até onde a vista pode alcançar, é o perfeito deslumbramento. O horizonte aos nossos pés, bem lá em baixo. Incrível!
No dia seguinte seguimos cedo o caminho longo para o mar, em direcção ao Namibe. Antes paramos para redenção no Cristo Rei, que abraça toda a cidade do alto da serra. E que desejo o meu, de a abraçar também!
Continuamos depois a viagem pela estrada quase deserta, chegando pouco depois à Serra da Leba. Serpente que desce a colina em perfeita comunhão. Sim, a foto do post anterior… mais palavras para quê?
Depois da serra a estrada deserta chega ao deserto. Imponente, mesmo. Paisagem quase lunar, e bem mais perto do sol. Do céu! De mim… Beleza pura, sensação de liberdade. Vontade de estender os braços e gritar bem alto os nossos sonhos e desejos. Fascinante. Silêncio de novo, com olhos bem abertos de contemplação. Inesquecível.
Chegamos ao Namibe. Cidade calma, arrumada e limpa, bem junto à praia. Com ar de praia. Linda. Mergulhamos e bebemos um pouco mais desta sensação de estar tão longe de tudo, e ao mesmo tempo tão perto de nós. Um almoço, um passeio pelas praias ali perto, um sol que se esconde depois entre as nuvens. Um adeus de repente, um regresso prometido. Voltamos enfim ao Lubango, revisitando o deserto que o sol escolheu para dormir.
A noite trouxe as estrelas que nos fizeram companhia. Testemunhas. E tantas estrelas! O céu inteiro! A elas pedi desejos eternos, outros fugazes, mas desejos sinceros. E na varanda de casa me fui perdendo, ou encontrando, inspirando toda a cidade que dorme aos meus pés. Visão presente, em passado e futuro reunidos. Começo assim a sonhar ainda antes de adormecer. Adormeço depois a sorrir. Cansado, mas a sorrir.
Segunda-feira foi dia de regresso. Atribulado e triste pelas sensações que ficam em nós mas que se deixam de viver, assim. Não só pelo que se deixa e se viveu para trás, mas sobretudo pelo regresso a Luanda, pelo que se reencontra e que aos nossos olhos nos parece ainda mais triste e degradante. Choveu no regresso, como se Lubango chorasse o nosso adeus, tal como nós choramos a nossa despedida, como o final das emoções vividas. A vontade era de ficar… Lubango. Mão no peito, olhar no infinito. Mais umas horas, uns dias, quem sabe. A vontade é de regressar, por mais uns dias, umas semanas, talvez. A vontade real é talvez de ir e ficar. Vida inteira, quem sabe. Fica a vontade.
Sim, foram momentos vividos que ficarão em mim para sempre. Sim, foi um deslumbramento para a vida e que estará sempre presente. Sim, para sempre. Ficaria lá para sempre. Quem sabe? Só Deus sabe…
Bem, cheguei bem perto das mil palavras afinal... E voltando de novo ao resumo inicial, preciso afinal de mais duas palavras: Mágico. E Eterno.
9.11.07
Eu vou, Eu vou...
Ah, mas sei outra coisa quanto à viagem... É que amanhã irei passar por aqui:
É lindo... não é?
6.11.07
Voltei, voltei...
18.10.07
Recordações
15.10.07
O Quase Final
E este foi mesmo um fim de semana 'daqueles'. Na sexta-feira passei no Chill Out uma das melhores noites (hum... a melhor que me lembro...) das minhas noites em Luanda. Muito muito bom... com Buraka Som Sistema - não gosto, mas aqui é diferente, e por isso gosto - a fazer a festa. Uma festa com muito gin tónico à mistura e suavemente misturado pela boa companhia.
Sábado foi dia de praia no Caribe e de dor de cabeça ao acordar. Já anotei: Guronsan - não esquecer! Foi mesmo assim um óptima tarde de sol com um entardecido almoço junto à praia. Açorda de marisco com gin tónico - é uma boa combinação, acreditem. Ah, a propósito: - Mãe, não bebo cerveja há quinze dias seguidos! Juro. Neste dia a noite entrou bem tarde com um jantar bem romântico a três, no Cais de 4, à luz das velas e caindo sobre a vista magnífica de Luanda sobre a baía. Decidimos depois ir 'beber um copo - mas um só!' novamente ao Chill Out, o que acabou por se tornar em mais uma noite longa... bem longa... irresistível e inesperada, com os copos que se seguiram atrás desse 'um só'. Vários. Mas portei-me bem, ok? Sempre bem.
Domingo foi um novo dia. Acordar cedo para um outro destino: Ilha do Mussulo. Hum... já escrevi a parte do Guronsan...? Ok... tenho mesmo de trazer. Fomos até ao Barssulo, um pequeno paraíso a sul, sítio ideal para um domingo assim. Não estava sol, nem esteve o dia todo, mas eis que ele brilhava em mim, tão perto que estava. E dormi, adormeci... relaxei e desfrutei, em autênticas camas (são mesmo!) na praia. Dias assim dão mesmo que pensar... muitas vezes. Isso realmente... Hum... dá que pensar, só isso.
O dia acabou por acabar nostálgico, mas feliz, como eu me sentia, após um óptimo jantar de amigos. E cartas. (sim, aqui joga-se espadinha!). Acabei assim o dia meio acabado com o cansaço espelhado no rosto e o pensamento invadido pela vida. A minha vida. Tudo aqui vale a pena, pela experiência vivida, pela beleza das coisas belas, e pelas amizades que aqui ganham um outro sentido, uma outra força. Adorei.
Será que estou mesmo a gostar muito disto? Aa... talvez sim...
Mas só talvez.
13.10.07
Parabéns
12.10.07
Há Que Tempos...
11.10.07
A Factura
4.10.07
Um Dia Especial
30.9.07
A Barra do Dande
29.9.07
O Segundo Casamento
28.9.07
O Cinema
26.9.07
Dia de Atraso
24.9.07
Rumo ao Norte
Uma vez passando o Cacuaco, a miséria dá lugar à beleza da paisagem, que une através da estrada a terra vermelha a nascente e o mar azul a poente. Surgem os imbondeiros e as palmeiras e os coqueiros e mangais, aqui e ali, em verde esperança, salpicando o horizonte. Mas também aqui a pobreza reaparece e nos acompanha inquietante na viagem, para que não nos deixemos de lembrar onde estamos, ou para nos fazer ver que aqui nunca há sonho sem pesadelo. Nunca. Mais lixo e quase casas e mais gente que nem é gente, vivendo em sobrevivência.
Deixamos a estrada principal que segue para o Caxito e viramos à esquerda até ao litoral, rumo ao mar e ao destino planeado antes na partida: A Barra do Dande.
Andámos 60 Km desde que saímos de Luanda, demorando-nos no percurso por quase duas horas, detidos pelo horror contido do trânsito e da paisagem e pelos buracos que fazem a estrada. No entanto, tudo muda. Chegando à Barra do Dande, e depois da nova ponte que liga a aldeia à outra margem do rio encontramos enfim uma praia sem fim. Deixei-me encontrar por um paraíso selvagem que me ilumina os olhos bem mais que a ténue luz do sol desse dia. E estava um dia quente e calmo, igual ao imenso mar turvo que apareceu majestoso à minha frente. Ao longe, pela praia e até onde a vista pode alcançar só vejo o mar, areia e coqueiros, intemporais, numa comunhão perfeita da Natureza - a única beleza infinda destas terras de Angola. Sem gente... Um resort apenas, com alguns bungalows e tendas e cabanas suspensas sobre estacas em madeira. Hum... e boa comida.
Mas cheguei satisfeito ao meu quarto, nostálgico mas cheio de coragem para enfrentar mais uma semana. A verdade é que são mesmo estes os dias que aqui valem a pena.
21.9.07
Falta um Mês...
19.9.07
Ainda a Praia
Muito além da praia, estes dias ficaram marcados por uma música que nos invadiu, que nos arrastou e acompanhou sempre para todo o lado. Aqui e para perto de quem gostamos, tão longe que deles estamos na distância. Aqui está, pertinho do coração.
18.9.07
Praia, Doce Praia
Pareceram um dia apenas. A verdade é que foram três os dias deste fim de semana, alargado e completo mas curto nas horas e na originalidade. O que fiz? Praia, mais praia e… mais praia. Três dias de mar, sol e areia. Apenas. Ah… e lagosta, até fartar.
Sábado foi dia de Cabo Ledo, de um mar mais azul que o céu, das conversas de esplanada com as lagostas do Queirós na mesa, da viagem de ida e de regresso e da noite Naquele Lugar já em Luanda. Magnífico.
No domingo descobrimos outro paraíso, em Sangano. Antes de Cabo Ledo, uma praia que pensámos quase deserta e que se tornou numa agradável e cheia surpresa ao chegar. Cheia de tudo! Tornou-se também numa angústia e tristeza ao partir. Só saímos de noite, mas realmente não queria mesmo sair de lá nesse dia. E nunca antes disso. Queria ficar e que o tempo parasse. Queria ver o pôr do sol que é algo extraordinário por aqui... Apaixona-nos. É um jogo de cores difusas lutando entre si para ganhar o imenso céu. É o sol que se transforma em tons de laranja e visível aos nossos olhos de contemplação, e depois em vermelho vivo e num fogo que ilumina em reflexo toda a baía. O mar e os rochedos. Um céu que rouba a cor ao mar e se une, num horizonte que não se distingue entre eles, desaparecendo entre a neblina. Céu e mar indistintos. E no fim do espectáculo o sol se retira, satisfeito, em magnífica apoteose. Tudo é quase mágico... intenso.
Segunda-feira decidi descansar destes dias de praia... E então fui para a praia também. Mas desta vez nem saí de Luanda... Não era preciso. O trânsito prometia ser interminável ao final do dia, para se entrar na cidade, vindo do sul, e por isso escolhi na ilha uma praia local, e dos locais, para passar mais um dia igualmente diferente. E com muita gente! Mas bom.
A praia cansa, é verdade... Após três dias desta vida difícil estou exausto. E quase preto... por fora e um pouco por dentro também. Ok, é cansativo... mas até gosto disto.
14.9.07
Porque Hoje...
12.9.07
Os Petiscos
10.9.07
O Casamento
Hoje vi as fotos e imaginei-me lá. Não me contive. Encontrei nelas um espaço quase visível entre os meus amigos, um espaço que eles mesmo guardaram para mim, para eu poder sentir-me lá. Com eles. Imaginei os risos e sorrisos, os abraços sentidos, a felicidade incontida vivida nesse dia que, como muitos outros dias convosco, não tem dia igual.
E são estes os dias mais importantes de uma vida inteira. São estes os dias recordados para sempre e que à distância se dá um valor ainda mais incalculável. Mesmo. Aqui vejo e percebo que são esses os momentos que mais sentido dão a toda a nossa existência. São os amigos e os momentos com eles vividos. É o partilhar com eles a alegria de um dia que é para um, e para todos, como família, um passo de um rumo para uma vida inteira de felicidade. E será, tenho a certeza. Irei recordar este dia para sempre pela tristeza de não ver a vossa alegria, e como um dia da minha vida que não estive presente. Um dia mais que não vivi, infelizmente.
'Incrivelmente longe é a distância que hoje me separa de vós. Penso e sorrio ao ver que os anos passam e nada muda. A amizade é tão grande e antiga que já se tornou rocha, e cada vez mais rocha, e indestrutível mesmo com esta nossa distância e com o passar do tempo.'
A falta que me fazem é bem maior que o tempo que resta para vos ver de novo. Aguardo ansioso.
8.9.07
Bom Dia Camaradas
Esta é uma pequena frase num pequeno livro que escolhi ler. ‘Bom dia Camaradas’, de Ondjaki, é todo ele saudade de outros tempos desta Luanda. Tempos outros em que a guerra consumia a esperança do povo e a felicidade se encontrava nas pequenas coisas da vida. Memórias de escola e de rua de uma criança de sorte. Recordações do povo cubano que ainda vive por cá, presente na lembrança. Riqueza das coisas pobres.
Ao ler este livro, tenho já a sensação de o conseguir entender. Conheço quase o passado. E conheço-o observando a cidade de hoje, as ruas de hoje, as pessoas de hoje, o povo de sempre. Observo todos os dias o presente e entendo assim o passado, quase presente. Basta olhar.
5.9.07
A Chuva
1.9.07
Ânimo
Acordar pela manhã com o cheiro da terra molhada e da maré baixa na baía.
Almoçar no Bordão e junto à praia um óptimo choco fresco grelhado.
Ir ao supermercado só pela cusquice de saber como é.
Dormir o resto da tarde.
Um dia em cheio até ser noite.
Jantar no Tamariz com um bom vinho a acompanhar.
Matar saudades do Chill Out. Gin tónico. Vários.
Éden. Ver o dia nascer.
Uma noite em cheio até ser dia.
Já estava a precisar.
29.8.07
O Aniversário
27.8.07
De Novo
Realmente acho que nunca vou fazer uma viagem sem deixar algo para trás.
Mas estou de regresso, e sento-me agora resignado e pensativo no meu quarto do Hotel Trópico.
Penso que desta vez custou-me mais ainda a despedida. Foi bem mais difícil voltar… Não só pelo que deixo que me custa, mas também pelo que me espera aqui que nada tem de novo. E o tempo aí passou tão injustamente depressa!
Luanda está igual. Nada mudou. Apenas se sente ainda no hotel e nas ruas o ar de ressaca das comemorações de sábado passado: Angola sagrou-se campeã africana de Basquetebol. E pela nona vez. Até podia ser campeã de um campeonato regional de xadrez… O que é bem certo é que aqui se festeja por tudo e por nada. E para o povo angolano ganhar o Afrobasket foi tudo. E uma grande bebedeira em massa.
O tempo por aqui recebeu-me tal como eu me sinto: meio estranho. Um dia que nem chega a ser dia pois o sol não se digna a aparecer nesta cidade. Um dia quase noite todo o dia. E dizem-me que já choveu… Ora pois, está bem na altura! E o calor e humidade chega também aos poucos, para ficar. Chego ao aeroporto 4 de Fevereiro ás seis da manhã e estão já mais de 20º cá fora. E mosquitos. Que óptima recepção!
Vou sim é mudar um pouco este meu diário. Mudei agora as cores escuras para outras mais alegres - Ok, não mudou muito, pois não? - E chego à já esperada conclusão de que não consigo retomar o ritmo de posts diários, pois nem o pouco tempo nem a pouca internet me deixam. Mas prometo dar notícias sempre que possa ou que tenha algo de novo para contar, para que também eu possa contar e riscar assim os dias que passam. Lentamente.
Já risquei o dia 1.
7.8.07
Dia 58 - Finalmente
6.8.07
Dia 57 - O Hábito
5.8.07
Dia 56 - O Pequeno Almoço
4.8.07
Dia 55 - De Veneza a Miami
3.8.07
Dia 54 - A Despedida
2.8.07
Dia 53 - Naquele Lugar
1.8.07
Dia 52 - O Dia Mau
Tive ainda assim uma suportável apresentação toda a manhã e o trabalho que aperta nesta fase final antes de partir para férias. A dor de dentes terá de ficar para depois, pensei. Mas não - chegou pra ficar.
Mas hoje soube que afinal já não faltam só dois dias para o meu regresso a Portugal, mas ainda mais uns seis. Nem sei bem... Até podiam ser mais mil que para mim já não importava. Mantinha apenas no pensamento um amargo adiar de ansiedade e das saudades e esta triste realidade que se apoderou de mim até ao fim destes dias: eis-me sozinho, de malas feitas e coração desfeito.
Mas já que falo em coração hoje também fiquei preso no elevador. Foram duas horas de terror! Quer dizer... disseram-me depois que foram dois minutos apenas. Mas eu juro que me pareceram duas horas. Ou mais! E algum dia tinha de ser, certo? E porque não hoje? Foi uma boa escolha dos deuses, juntar tudo num só dia.
Este dia está a ser o máximo - penso. Que mais me irá acontecer? Já estava por tudo e triste como a noite que não mais chegava. Ao menos que tudo me acontecesse hoje! Saio então desprevenido pela rua procurando mais infortúnios. E respirar um pouco também.
31.7.07
Dia 51 - A Internet
30.7.07
Dia 50 - O Acontecimento
29.7.07
Dia 49 - Um Resumo
28.7.07
Dia 48 - O Turista
Comecei junto à baía, no Clube Naval de Luanda, admirando a vista incrível sobre a cidade e sobre os barcos incríveis também. Ainda pensámos alugar um barco, mas achámos que 1.500 Euros por dia seria um bocadinho caro. Um bocadinho...
- Sim, é Luanda!
Seguiu-se um almoço prolongado no Bordão, um restaurante mesmo no final da 'ilha' de Luanda e junto à praia, que me fez sentir quase como em casa, pela boa comida, pela decoração que nada tem de Luanda e que tudo tem de Portugal. Até o leitão à bairrada é a especialidade da casa. Bom sítio para se aproveitar a praia e passar um dia sossegado de sol na ilha.
Após um pequeno passeio pela praia, até a um dos muitos pontões em cubos de cimento feito e que mal protege a areia do seu mar, voltamos ao outro lado da cidade e até à vista que daqui se via.
A Fortaleza de S. Miguel. Já com 400 anos de história, é concerteza um dos principais patrimónios históricos da cidade de Luanda e do país inteiro. Encontra-se degradada por dentro e por fora, embora por vezes se organizem eventos entre as suas muralhas. Cá fora à entrada, além de alguns chaimites e aviões e outras peças de artilharia ou despojos de guerra completamente destruídos (nem sei se o foram ali pelo povo ou se muito antes pela guerra) consegue-se talvez a melhor vista sobre a cidade. Caminhando em volta da fortaleza observamos Luanda em todo o seu esplendor: o bom e o mau que aqui de cima tem, aos nossos olhos, a mesma beleza.
Cine Miramar. Num dos melhores bairros de Luanda um antigo cinema conserva ainda vivas as cadeiras e as memórias de grandes tempos, que o eram concerteza. Tem igualmente uma vista incrível sobre a baixa da cidade, e por momentos imaginei como seria magnifico estar aqui há muitos anos atrás, em noites de cinema e de luar. Juro que nem saberia ao certo escolher entre a ficção da tela e realidade dessas noites passadas e desta vista tão bela sobre a cidade que outrora era igualmente tão bela.
Conheci hoje uma Luanda diferente. Restos de uma Luanda que parou no tempo e que nos mostra ainda um pouco do que tanto os nossos pais falam dela. Mas é apenas um pouco, que ainda se mantém por mero acaso e desprezo, nesta cidade e neste país que aos poucos vai perdendo e esquecendo (porque assim o deseja) a nossa cultura, os nossos valores e tradições, o nosso património e a nossa (e sua) própria história. A Luanda vai-lhe faltando a sua origem e identidade.
27.7.07
Dia 47 - O Fado
26.7.07
Dia 46 - As Cidades e os Nomes
25.7.07
Dia 45 - Os Kwanzas
Como nota é uma moeda que ganhou nos últimos anos uma valorização incrível. Enquanto que no último passar de século um dólar equivalia a uns bons milhares de kwanzas e consequentes saídas à rua com um grande saco de notas (ao estilo pai natal), hoje um dólar ‘paga-se’ com 75 kwanzas apenas. Umas notitas.
Deixo-vos algo matemático e útil para quem vem de visita a Angola: 1 € = 100 Kz = 0,75 Usd. É fácil. Não é um câmbio fixo, mas é mais ou menos. Nas ruas e nas lojas e restaurantes praticam-se taxas diferentes consoante o sítio (entre 73 e 77 Kz por dólar), por isso é preciso também ter algum cuidado com o troco em Kwanzas... Por vezes compensa, por outras vezes não. Mas em 90% dos casos o câmbio é a 75 e não há contas difíceis a fazer. Além disso, convém sempre dar de vez em quando algum uso à calculadora que vem no telemóvel, certo?
Mas a verdade é que com dólares no bolso vamos a todo o lado e paga-se tudo, embora o troco seja sempre dado em kwanzas. Os angolanos não gostam de dólares mas aceitam-os olhando sempre para a nota quando lhes damos uma. Desconfiados conferem se o presidente americano em cada nota tem ou não uma cabeça grande… (um pouco como o actual: todos têm de ser cabeçudos). Isto porque reza a história que há uns tempos atrás circulavam por aqui imensas notas falsas de dólar, o que obrigou à emissão e circulação de novas e diferentes notas, estas com os presidentes bem maiores e mais cabeçudos que então. E desde então, como um ritual que se criou no povo angolano, as pessoas olham sempre para as notas a confirmar as cabeças. Mas não gostam mesmo do dólar, e um exemplo é as gasosas que se dão. As pessoas da rua preferem os kwanzas, que são mais coloridos. E preferem por exemplo 100 Kz do que se lhes dermos 2 dólares.
24.7.07
Dia 44 - A Cidade
23.7.07
Dia 43 – A Comida
Ou quase sempre. Também há o funge, a muamba ou o mufete, como exemplos de pratos de eleição e de excepção à regra da comida portuguesa.
O funge tem um aspecto semelhante ao puré. Se formos positivos. A mim mais me parece, sinceramente, outra coisa... Uma cola pegajosa talvez. Uma papa consistente feita à base de farinha de milho ou de mandioca, conforme os gostos ou o mau gosto. O milho dá-lhe um aspecto amarelado, enquanto que a mandioca confere-lhe um aspecto acinzentado e castanho. Vá o diabo e escolha. O sabor nem sei bem... a mim não me sabe a nada. É insípido mesmo. Mas acompanha bem a moamba de galinha. Segundo dizem.
A moamba de galinha é muito boa. É o prato típico de Angola. Mas eu acompanho-a com arroz, para fugir do funge. Basicamente é galinha (espero) coberta com um molho excepcional, que me sabe a ginguba (que é amendoim).
O mufete é peixe. Peixe inteiro assado com todos. Ou melhor... assado com tudo. Escamas e tripas. Por cima e à volta é servido com uma mistura de pimentos e tomate. E jindungo. Mufete foi portanto coisa que não provei ainda. Evidente.
Jindungo é a malagueta daqui. Muito picante e muito diferente de sítio para sítio no tom e no sabor. Mas sempre muito picante. Aqui jindungo acompanha-se com tudo. Com pão com fruta e com todos os pratos. Só não acompanha comigo.
Resumindo, digo-vos que os pratos angolanos são muito bons e até recomendo. Mas eu cá sinceramente prefiro lagosta.